O bom desempenho das vendas e produção no terceiro trimestre levou a Anfavea a rever para cima as projeções de fechamento do ano para estes dois indicadores, assim como havia ocorrido no fechamento do primeiro semestre.
As exportações em baixa, por outro lado, tiveram mais uma revisão negativa.
Novas projeções
A expectativa agora é que o Brasil feche o ano com 3,1 milhões de autoveículos emplacados, patamar que não é atingido desde 2014.
Caso a projeção se confirme, o crescimento será de +15,2% em relação a 2025; bem acima dos +2,7% previstos no início do ano.
O avanço será impulsionado principalmente pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, cuja expectativa de crescimento passou para +16,4%. Já o segmento de veículos pesados, composto por caminhões e ônibus, deve encerrar o ano com retração de -6,5%.
No sentido oposto do aquecimento do mercado doméstico, as exportações deverão fechar 2026 com queda de -17,7%, resultado da retração do mercado argentino e da maior presença de veículos chineses nos países da América do Sul, principais destinos dos produtos brasileiros.
Com esse cenário, a produção nacional deve registrar um desempenho positivo, mas ainda distante do potencial proporcionado pela demanda interna.
A projeção de crescimento passou de +3,7% para +5,8% sobre 2025 em julho, e agora para +6,7%, alcançando um volume superior a 2,8 milhões de autoveículos produzidos, o melhor resultado desde 2019.
Não há como não comemorar resultados tão expressivos do mercado interno, retomando patamares não verificados há mais de uma década. Isso ajuda a impulsionar a produção e os empregos neste momento” (Igor Calvet, presidente da Anfavea).
No entanto, o executivo alertou que é preciso ficar atento às nuances não tão positivas desses resultados:
A nossa balança comercial sofre com a alta das importações e a queda expressiva das exportações. Além disso, boa parte da alta na produção se dá por veículos totalmente desmontados, os chamados SKD, que chegam da China sem utilizar o parque de autopeças nacional e com pouca mão de obra envolvida.

Terceiro trimestre mantém aquecimento surpreendente do anterior
Produção
Setembro marcou a melhor produção para o mês desde 2014, com 268,3 mil autoveículos.
Assim, o ano já acumula alta de +8,7% sobre os primeiros nove meses de 2025, com um total de 2.166 mil unidades.
Das 173 mil a mais produzidas em relação ao ano passado, porém, apenas 50 mil foram de produção local plena, e outras 123 mil de montagem CKD e SKD; um volume maior que o de 60% das fábricas de veículos leves instaladas no país.
Emplacamentos
Setembro registou ainda o maior volume de emplacamentos em um mês desde dezembro de 2014, com volume de 281,4 mil unidades.
O principal impulsionador desse crescimento foi o segmento de automóveis, cujas vendas avançaram +22,5% no ano.
Desse incremento de 350 mil unidades, 84 mil unidades são atribuídas ao programa arro Sustentável, que revigorou o segmento de entrada.
Outros 242 mil veículos vieram do crescimento dos eletrificados, em especial dos elétricos puros, que triplicaram suas vendas no período.
No acumulado do ano, os eletrificados foram responsáveis por 69% do crescimento de vendas, e já representam 20,1% de todos os registros de veículos leves 0 km.
Já o segmento de veículos pesados segue em recuperação lenta, impulsionado pela segunda fase do programa Move Brasil. Nos primeiros nove meses de 2026, as vendas de caminhões recuaram -3,8%, enquanto as de ônibus registraram queda de -4,4%. Na produção, houve queda de 6,4% e 11,2%, respectivamente.
Exportações
Os embarques do setor, por sua vez, continuam sem sinais de recuperação, estagnados em um patamar mensal abaixo de 40 mil unidades há seis meses.
O acumulado do ano é de 334 mil unidades exportadas; uma queda de -23%. Apenas para a Argentina, a redução foi de quase 100 mil unidades no período, reflexo tanto da retração do mercado local quanto da perda de participação dos veículos brasileiros para modelos chineses e mexicanos.
Balança comercial
Com a queda dos embarques e a elevação das importações, há um expressivo déficit na balança comercial brasileira, após muitos anos de superávit.
No ano já ingressaram no país 463,9 mil autoveículos; alta de +30,4%. Os veículos de origem chinesa representam 55% desse montante, e já ocupam fatia de 11,3% do mercado nacional.

| Fonte: ANFAVEA |


