Por Maria Carolina Garcia, Portal Fundição em Foco
Em 14 de outubro, a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial brasileira, o Senado aprovou, em dois turnos, a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6X1, dois dias de repouso semanal remunerado e redução da jornada, sem corte salarial.
O direito ao descanso, ao convívio familiar e à saúde mental merece ser valorizado, isso é indiscutível. Mas uma discussão dessa dimensão também precisa considerar quem terá de reorganizar e assumir os custos da mudança.
O empregador também é Trabalhador. É o comerciante que mantém a loja aberta seis ou sete dias por semana. É o dono da fundição que acompanha pedidos, administra dívidas, paga salários e busca preservar empregos em um setor cuja produção caiu mais de 14% este ano. E agora sentirá a pressão do aumento do custo da hora contratada, e talvez até tenha que ampliar suas equipes em meio a um cenário de dificuldade de contratação e retenção de profissionais qualificados.
Sim, a saúde mental deste Trabalhador também importa!
A solução mais lógica seria: Vamos depender menos de mão de obra, aumentar a produtividade, investir em automação, inteligência artificial e modernização dos processos. O caminho até faz sentido, se não fosse uma taxa Selic de 13,75%, ou seja, crédito em patamares elevadíssimos para uma indústria consumida por impostos e pressionada pelas importações, cada vez mais atrativas.
E ainda que essa solução fosse viável, a pergunta que fica é: O que seria feito destes Trabalhadores substituídos por robôs? É isso mesmo que queremos?
Voltando ao tema inicial, fato é que a proximidade da aprovação desta PEC com a eleição presidencial merece muito questionamento. Ela foi apresentada em dezembro de 2019 – há quase sete anos! E embora seu texto tenha mudado ao longo da tramitação, sua aprovação ocorre justamente às vésperas da decisão nas urnas.
É totalmente legítimo perguntar quanto dessa urgência responde ao planejamento de uma transformação estrutural e quanto atende à conveniência eleitoral, não é mesmo? E isso vale para ambos os lados.
Reitero: O descanso semanal é uma conquista legítima. Mas o debate precisa incluir todos os que trabalham, inclusive o empregador que, ao fim do expediente, continua fazendo contas para sustentar o negócio.
No próximo dia 25, aproveitemos as urnas para escolher o candidato cujo projeto de país oferece compromissos consistentes com a indústria brasileira. Que apresenta condições de conduzir uma Política Industrial compatível com nossas dimensões, nossos recursos e a capacidade dos nossos profissionais. Que propõe medidas concretas para estimular o investimento, a inovação, a produção e o emprego. E que considere medidas de apoio e ajustes nos custos trabalhistas às empresas nesta fase de implementação da nova escala de trabalho.
Depois do voto, vamos cobrar!
Porque o trabalhador precisa de descanso, renda e perspectiva. E o Brasil precisa de empresas capazes de produzir, investir e empregar.
Sem condições para sustentar essa combinação, estaremos fadados, todos nós, Trabalhadores, a migalhas.

