Após intensa pressão da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, o governo federal encerrou a isenção de imposto de importação de peças para a montagem de veículos nos regimes SKD (semi knocked down) e CKD (completely knocked down). A estratégia era atrair investimentos e acelerar a eletrificação da indústria automotiva brasileira.
Com o benefício, concedido em julho de 2025, US$ 463 milhões em impostos deixaram de ser recolhidos, sendo convertidos em vantagem competitiva para veículos de aproximadamente 15 montadoras, em especial chinesas, caso da BYD e GWD, que aumentaram significativamente os seus estoques no país.
Nos bastidores, circulava que elas queriam mais; queriam prorrogar os incentivos ficais por mais dois anos, embora nenhuma montadora tenha se manifestado ao Camex (Câmara de Comércio Exterior) sobre esse pleito.
🔺No entanto, fica o alerta!!!
👉 Isso ainda pode acontecer, motivo pelo qual todo o setor está acompanhando a agenda da reunião do Gecex (comitê de gestão da Câmara de Comércio), que acontece em 12 de fevereiro.
Até aqui, a vitória é da indústria local!
Conforme publicado pelo Portal Fundição em Foco, em “De mãos dadas rumo ao fim?!? O colapso silencioso da indústria brasileira”, a Anfavea já havia alertado o governo que transformar a montagem simplificada em regra poderia eliminar até 69 mil empregos diretos (75% da força de trabalho atual do setor) e outros 227 mil indiretos, além de gerar perdas bilionárias para o setor de autopeças, reduzir a arrecadação e comprometer as exportações, a exemplo do ocorrido no segundo semestre de 2025.
Não se trata de estigmatizar o uso pontual desses regimes — eles fizeram parte da história de várias montadoras no Brasil —, mas de reconhecer que incentivos sem contrapartidas claras de nacionalização, engenharia local e agregação de valor criam um atalho que desestrutura toda a cadeia produtiva, inclusive de fundição.
Como ficam os impostos de importação
- Carros elétricos e híbridos importados (prontos): Pagam alíquota entre 25% e 30% até julho de 2026, quando esses percentuais sobem para 35%
- Veículos eletrificados importados em kits SKD: Alíquota atual de 18%, passando para 35% em julho
- Veículos importados como CKD (desmontados): Passam a ter tributos de 16%, percentual que aumenta para 35% em janeiro de 2027.


