Nesta entrevista concedida com exclusividade ao Portal Fundição em Foco, Maurício Colin, presidente eleito do SIFESP – Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de São Paulo faz um balanço dos seus quase seis meses à frente da entidade, além de comentar a recente sentença da Justiça, que reconheceu falhas relevantes nas eleições conduzidas pela atual administração da ABIFA – Associação Brasileira de Fundição, determinando a realização de novo pleito.
Em uma entrevista anterior ao Portal Fundição em Foco, quando da sua eleição, o senhor afirmou que em um primeiro momento o seu trabalho no SIFESP estaria focado em um levantamento completo da situação administrativa e jurídica da entidade, com foco na transparência, análise das finanças, acordos firmados e decisões tomadas nos últimos anos. Este trabalho já foi concluído?
Colin: Sim, esse levantamento foi realizado e era absolutamente necessário. Encontramos uma entidade fragilizada do ponto de vista administrativo, sem estrutura organizada, sem histórico claro de decisões e com lacunas relevantes de informações financeiras, jurídicas e operacionais.
Não havia processos formalizados nem uma transição estruturada. Isso exigiu muito cuidado, responsabilidade e transparência. O primeiro passo foi entender exatamente onde estávamos para, então, reconstruir o SIFESP de forma sólida, técnica e institucionalmente correta.
O que está sendo feito para reverter este quadro?
Colin: A solução passa por três frentes claras: Organização interna, transparência e reconstrução institucional.
Entendo que entidades representativas são movidas por história, memória e continuidade. Por isso, trouxemos de volta pessoas que carregam esse legado, como o Roberto João de Deus, gestor com mais de 40 anos de atuação no setor, e o Dr. Marcos Tavares Leite, do escritório Tavares Leite Advogados, resgatando conhecimento, experiência e visão institucional. A reconstrução começa por aí.
Estamos organizando as finanças, com apoio adicional de alguns associados, reestruturando a gestão, retomando controles, regularizando contratos e restabelecendo uma rotina administrativa profissional.
Ao mesmo tempo, abrimos diálogo com trabalhadores, órgãos ambientais, empresas associadas e entidades parceiras. O SIFESP voltou a funcionar como Sindicato de fato: Presente, técnico e atuante.
Concluída essa primeira fase, buscaremos parcerias institucionais com outras entidades, em prol da indústria brasileira de fundição.
Quando conversamos sobre seus planos para a gestão do Sindicato, o senhor mencionou a intenção de estabelecer uma nova política de escuta ativa junto às empresas associadas. O que foi feito nesse sentido?
Colin: Implementamos uma escuta estruturada, algo que estava ausente havia bastante tempo.
Elaboramos e enviamos um questionário completo às empresas associadas, levantando dados sobre o seu porte, processos produtivos, mão de obra, principais dificuldades e expectativas em relação ao SIFESP.
Esse material está sendo organizado e servirá como base do planejamento para 2026, orientando a criação de núcleos técnicos, cursos, pautas sindicais e ações práticas.
É o associado participando ativamente da (re)construção do Sindicato.
A questão ambiental figura entre as prioridades da sua gestão?
Colin: Sem dúvida. A pauta ambiental é estratégica para o setor de fundição.
Já iniciamos contato formal com a CETESB, para tratar das novas exigências relacionadas à ADF – Areia Descartada de Fundição. Enviamos um ofício solicitando acesso às informações técnicas e recebemos resposta oficial, o que permitiu ao SIFESP acompanhar o processo de forma técnica e institucional.
Nosso objetivo é garantir que as normas ambientais sejam cumpridas de forma viável, técnica e proporcional à realidade das empresas, especialmente das pequenas e médias fundições.
Em breve, devemos anunciar a criação de um Núcleo Técnico específico, com especialistas da área, para atuar em conjunto com as indústrias associadas.
Como foram conduzidas as convenções coletivas de trabalho (CTT) neste seu primeiro ano à frente do SIFESP?
Colin: As convenções coletivas foram conduzidas com diálogo e responsabilidade.
Fiz questão de me reunir com todos os Sindicatos representantes dos trabalhadores da fundição. Foram conversas francas, respeitosas e produtivas.
Mais do que negociar cláusulas, buscamos restabelecer alianças, reconhecendo que o setor mudou, que as indústrias estão mais tecnológicas e que o modelo de trabalho precisa evoluir junto. Criamos um ambiente propício para aprofundar essas discussões nos próximos ciclos.
Falando sobre restabelecer alianças, como está a relação entre o SIFESP e a ABIFA? O senhor é o primeiro presidente do Sindicato que não é presidente da Associação.
Colin: Este é um momento sensível, mas importante para o setor.
Na prática, a ABIFA segue sem um presidente legitimamente eleito. O processo eleitoral anterior foi questionado judicialmente e, recentemente, a Justiça reconheceu falhas relevantes, determinando a realização de novas eleições.
Essa decisão garantiu o direito de participação da Chapa que havia sido impedida, restabelecendo princípios fundamentais de transparência e democracia.
O SIFESP respeita profundamente a história da ABIFA e acredita que este novo processo eleitoral representa uma oportunidade de reconstrução institucional e fortalecimento da representatividade do setor. São entidades que caminham juntas há décadas, e o associado espera diálogo, composição e interlocução responsável — não conflitos estéreis.
Quais os passos dos próximos seis meses do SIFESP?
Colin: Agora entramos agora na fase de execução.
Vamos estruturar e fortalecer os Núcleos Técnicos do SIFESP, com foco em:
- Recursos Humanos e qualificação de mão de obra;
- Meio ambiente e sustentabilidade;
- Suprimentos e compras coletivas;
- Apoio técnico e normativo às empresas.
Além disso, vamos aprofundar o diálogo com os órgãos públicos, ampliar a base de associados e consolidar o SIFESP como um Sindicato moderno, técnico e verdadeiramente representativo das fundições do Estado de São Paulo.
Um desejo pessoal é ampliar o diálogo com sindicatos e entidades formais em âmbito nacional, buscando alianças mais amplas em defesa da indústria de fundição brasileira.
Qual a sua mensagem final às fundições do Estado de São Paulo?
Quero dizer ao associado que o SIFESP voltou a existir de verdade. Em seis meses, avançamos na organização da entidade, retomamos o diálogo com os trabalhadores, entramos nas pautas ambientais com seriedade e ouvimos as empresas. A decisão da Justiça que determinou novas eleições na ABIFA mostra que fazer o certo vale a pena. Democracia, governança e representatividade não são discurso — são prática. O SIFESP está aberto, ativo e trabalhando para quem produz. Quem quiser construir um setor de fundição mais forte, moderno e respeitado tem espaço aqui”.
(Maurício Colin, presidente eleito do SIFESP)



