Por Maria Carolina Garcia, Portal Fundição em Foco
Entre os dias 21 e 24 de julho, o Portal Fundição em Foco esteve na FENAF – Feira Latino-Americana de Fundição, prestigiando seus parceiros, fortalecendo relacionamentos e apresentando ao mercado as comemorações de seu primeiro ano de atividades, marcadas pelo lançamento do 1º Catálogo Digital Bilíngue – Connect Foundry Hub, uma iniciativa que amplia a visibilidade internacional da indústria brasileira de fundição.
Entre lançamentos, negócios e inovação, no entanto, um assunto dominou praticamente todas as conversas nos corredores da feira:
O expressivo aumento da presença de empresas chinesas entre os expositores.
Não se trata de discutir a importância do comércio internacional ou da concorrência global, que fazem parte da dinâmica da economia moderna. A questão é outra:
Como a indústria brasileira sobrevive, quando enfrenta desafios que seus concorrentes não enfrentam nas mesmas proporções?
O dia a dia da fundição brasileira é marcado por juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito, elevada carga tributária, insegurança jurídica, custos trabalhistas, exigências ambientais crescentes, dificuldade em reter mão de obra qualificada e um ambiente de negócios que penaliza quem produz localmente.
Mesmo diante desse cenário, continua investindo, inovando, gerando empregos, pagando impostos e movimentando cadeias produtivas inteiras.
Isso leva a uma reflexão inevitável:
Competitividade não se constrói apenas dentro da fábrica
É comum atribuir competitividade exclusivamente à eficiência das empresas. Naturalmente, produtividade, tecnologia, qualidade e gestão são fatores decisivos.
Mas será que basta fazer a lição de casa quando o ambiente externo impõe obstáculos tão significativos?
Quem produz no Brasil precisa competir em condições minimamente equilibradas. Isso passa por políticas industriais consistentes, instrumentos de financiamento, segurança regulatória, incentivos ao investimento produtivo e mecanismos que assegurem concorrência justa diante de práticas comerciais potencialmente desiguais.
E a quem cabe a defesa de nossa indústria?
Porque proteger a indústria nacional não significa fechar mercados. Significa garantir que empresas brasileiras compitam em igualdade de condições.
Uma reflexão que merece ser feita
Nos últimos meses, ganhou grande repercussão a sugestão, feita em âmbito público, de que fundições brasileiras poderiam simplesmente encerrar suas operações industriais, importar fundidos e comercializá-los no mercado nacional.
Independentemente do contexto em que tenha sido apresentada, uma proposta dessa natureza é irresponsável e merece reflexão.
Uma fundição não representa apenas uma linha de produção. Ela sustenta fornecedores de matérias-primas, fabricantes de equipamentos, empresas de manutenção, transportadoras, laboratórios, universidades, centros tecnológicos e milhares de empregos diretos e indiretos.
Sem fundição, perde-se muito mais do que capacidade produtiva.
Perde-se conhecimento técnico, desenvolvimento industrial, arrecadação, inovação e soberania produtiva.
Tratar esse patrimônio industrial como algo facilmente substituível por importações desconsidera o papel estratégico que a fundição exerce em praticamente todos os segmentos da economia.
O problema não está na capacidade das empresas brasileiras
Tecnologia, qualidade e competência continuam sendo marcas registradas da fundição brasileira.
Elas seguem investindo em automação, sustentabilidade, inovação e desenvolvimento de produtos.
As dificuldades enfrentadas pelo setor não decorrem, em grande medida, da falta de capacidade técnica.
Decorrem, sobretudo, de um ambiente econômico e institucional que frequentemente torna mais difícil produzir no Brasil do que importar para o Brasil.
Nesse contexto, cabe às entidades representativas ampliar sua atuação em defesa do setor, contribuindo para o debate público e a construção de políticas que fortaleçam a indústria nacional.
O fortalecimento da fundição brasileira é uma responsabilidade compartilhada entre empresas, mas em especial entre entidades e poder público. É uma questão de desenvolvimento industrial, competitividade e visão de futuro.
A força de quem insiste em produzir
Apesar de todas essas adversidades, a fundição resiste. Ela bate de frente com discursos que, em vez de fortalecer quem produz, muitas vezes colocam em dúvida a viabilidade da produção nacional. Infelizmente, a resiliência deixou de ser apenas uma virtude: Tornou-se uma condição para seguir produzindo no Brasil.
Ao final da FENAF, o sentimento que permanece é de admiração pelas empresas que continuam acreditando na produção nacional.
O Portal Fundição em Foco parabeniza especialmente todos os seus parceiros pelo excelente desempenho durante a feira e reafirma seu compromisso de continuar valorizando, divulgando e defendendo uma indústria que gera empregos, desenvolve tecnologia, movimenta a economia e permanece essencial para o futuro do país.







