Segundo balanço divulgado pela ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, o consumo do setor registrou queda de 13,8% no primeiro semestre, enquanto a aquisição de máquinas produzidas localmente caiu 17% no mesmo período, no comparativo com o ano anterior, sobretudo nos segmentos mais dependentes do crédito e da atividade industrial.
Atividade enfraquecida
A receita líquida de vendas registrou queda de 13,6% nos seis primeiros meses do ano, enquanto o resultado em 12 meses passou a recuar 6,4%.
A análise por grupos setoriais mostra que a maior retração ocorreu nas atividades agrícolas, segundo a entidade. Em sentido oposto, os segmentos relacionados às obras de infraestrutura ajudaram a amortecer a queda do setor em 2026.
O mercado doméstico continua sendo o principal fator de limitação ao crescimento. A receita interna caiu 17% no primeiro semestre e acumula retração de 9,1% em 12 meses.
O resultado evidencia os efeitos da política monetária restritiva sobre o investimento produtivo. O elevado custo do capital reduz a viabilidade de novos projetos e adia decisões de substituição e modernização do parque industrial.
Exportações resilientes
Os embarques do setor seguem apresentando desempenho relativamente favorável. Em junho, as exportações cresceram 4,5% frente ao mês anterior e 3,4% na comparação com junho de 2025, alcançando US$ 1,08 bilhão.
No primeiro semestre, a expansão chegou a 12,7%.
Ainda segundo a Associação, a valorização acumulada de aproximadamente 10,5% do real frente ao dólar reduziu o impacto positivo das exportações sobre a receita do setor em moeda nacional. Assim, embora haja crescimento em dólares e no volume embarcado, o efeito sobre o faturamento em reais permanece limitado.
Importações avançam e reforçam mudanças estruturais no mercado interno
As importações voltaram a crescer em junho e alcançaram US$ 2,85 bilhões, com altas de 7,7% frente a maio e de 9,9% na comparação com junho de 2025.
No primeiro semestre, o crescimento foi de 3,9%. Em volume, as importações também avançaram: 6,8% em junho, na comparação interanual, e 2,5% no acumulado do semestre.
O resultado chama atenção, pois ocorre simultaneamente a uma retração significativa dos investimentos domésticos. Mesmo em um mercado menor, os equipamentos importados continuam ampliando sua participação.
No primeiro semestre, as máquinas importadas representaram 47,7% do consumo nacional; 2,1 pontos percentuais acima do observado no mesmo período de 2025.
A China permanece como principal responsável por esse movimento. As importações provenientes do país cresceram 15,9% no semestre, enquanto as compras originadas dos demais mercados recuaram 1,8%.
Essa dinâmica mostra que o desafio enfrentado pela indústria nacional não é apenas conjuntural. Mesmo em um ambiente de baixo crescimento, os fornecedores externos continuam ampliando sua presença, o que reforça o risco de perda de participação e de competitividade da produção nacional.
PERSPECTIVAS
Os resultados de junho mostram que a indústria de máquinas e equipamentos continua apresentando baixo dinamismo. O investimento produtivo segue enfraquecido, o mercado doméstico permanece condicionado pelos juros elevados e as exportações, embora resilientes, não compensam a retração da demanda interna.
Ao mesmo tempo, as importações ampliam sua participação, mantendo elevada a pressão competitiva sobre a indústria nacional.
O primeiro semestre encerrou-se sob o efeito de fatores que limitaram o desempenho do setor. Há sinais pontuais de estabilização na carteira de pedidos e no emprego, mas ainda insuficientes para caracterizar uma retomada consistente. Uma recuperação mais firme dependerá da melhora do ambiente macroeconômico, da redução do custo do capital, do fortalecimento da confiança empresarial e de medidas que ampliem a competitividade da produção nacional diante do avanço dos fornecedores externos”. (ABIMAQ)


