Apesar das tensões comerciais dos últimos dois anos, rearranjo das cadeias globais de suprimento e avanço da pressão dos importados, a indústria brasileira do alumínio preservou sua capacidade de investir, produzir e gerar empregos, segundo dados do Anuário Estatístico 2025, da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).
O Brasil reúne hoje uma combinação rara de ativos: é o 4º maior produtor mundial de bauxita, o 3º maior produtor de alumina, o 9º maior produtor de alumínio primário e abastece cerca de 57% de seu consumo com alumínio reciclado, índice equivalente a mais do que o dobro da média mundial. Poucos países concentram, simultaneamente, disponibilidade de recursos minerais, indústria integrada, matriz elétrica predominantemente renovável e uma cadeia consolidada de reciclagem.
O desafio não está nos fundamentos, mas em garantir as condições para que nossos ativos gerem valor no Brasil. Isso requer a convergência de políticas públicas estruturantes, que já estão em curso, combinada a uma política comercial que seja capaz de assegurar isonomia entre o produto nacional e o importado, responder às práticas que distorcem os mercados globais e preservar no país os insumos estratégicos para a nossa transição energética” (Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL)
Produção cresce, investimentos avançam
Segundo a Associação, os indicadores econômicos da cadeia permaneceram em trajetória positiva ao longo de 2025.
A produção brasileira de alumínio primário cresceu 8,5%, alcançando 1,18 milhão de toneladas, o maior volume desde 2013. O faturamento atingiu R$ 168 bilhões (+10,6%), os investimentos brutos somaram R$ 6,8 bilhões, acima dos R$ 6,1 bilhões registrados em 2024, e a arrecadação tributária alcançou R$ 34,8 bilhões.
O setor manteve aproximadamente 508 mil empregos diretos e indiretos e encerrou o ano com superávit comercial de US$ 3,3 bilhões, o sétimo saldo positivo consecutivo e o segundo melhor resultado dos últimos 17 anos.
Demanda doméstica estável, mas importados avançam
O consumo doméstico de produtos transformados totalizou 1,883 milhão de toneladas em 2025; uma leve retração de 0,5% em relação ao recorde histórico registrado em 2024.
No entanto, o dado que merece maior atenção, de acordo com a entidade, está na composição desse mercado. Enquanto o consumo de produtos de origem nacional recuou -1,3%, as importações de semimanufaturados e manufaturados cresceram +5,9%, elevando sua participação de 11,2% para 12% do mercado doméstico.
O saldo comercial permanece positivo, mas está cada vez mais apoiado sobre matérias-primas, enquanto produtos industrializados de maior valor agregado perdem espaço para concorrentes externos. A China respondeu por 26,9% das importações brasileiras do setor em 2025.
Entre os mercados consumidores, o segmento de Eletricidade foi o principal destaque do ano, com crescimento de 10,2%, enquanto Transportes (-0,8%), Construção Civil (-3,4%), Bens de Consumo (-6,6%) e Máquinas e Equipamentos (-10,5%) registraram retração, refletindo um ambiente de crédito restritivo.
Reorganização das cadeias produtivas
Para a ABAL, 2025 consolidou uma mudança de paradigma no comércio internacional. A busca por maior resiliência nas cadeias de suprimento passou a orientar políticas industriais, comerciais e energéticas em diversas economias. Recursos minerais, reciclagem, energia de baixo carbono e capacidade industrial deixaram de ser apenas fatores de competitividade, para se tornarem ativos estratégicos.
Ao mesmo tempo, a expansão da capacidade produtiva em alguns mercados, associada à adoção de práticas comerciais distorcivas, vem alterando fluxos globais de comércio e ampliando a pressão competitiva sobre produtores em todo o mundo.
Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição singular. Poucos países reúnem uma cadeia integrada, da mineração ao produto transformado, disponibilidade de energia renovável em larga escala e uma indústria de reciclagem madura e consolidada.
É importante termos clareza de que a transição energética é também uma disputa por cadeias de valor. Não será protagonista quem apenas produzir ou comercializar recursos estratégicos. O protagonismo será de quem conseguir transformá-los em produtos, tecnologia, inovação e competitividade. É essa capacidade que o Brasil precisa preservar para que a riqueza gerada por seus ativos permaneça no país e impulsione seu desenvolvimento” (Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL)
| Fonte: ABAL – Associação Brasileira do Alumínio |


