A maioria das transportadoras acredita que o problema está no diesel.
Algumas consideram que é o pedágio.
Outras culpam a falta de motoristas.
Mas depois de estudar os dados da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) sobre a logística da Região, e cruzar isso com a realidade financeira das empresas do setor, a conclusão é outra:
O maior problema não está no que você vê. Está no que você não mede.
Rodovias congestionadas, travessias urbanas mal planejadas, sobrepeso, demora portuária, pedágio variável e rotas ineficientes. Tudo isso não aparece de forma clara na DRE, mas está presente, silenciosamente, no fluxo de caixa.
E quando o caixa começa a apertar, a empresa descobre tarde demais que vinha operando com margem ilusória.
Se a sua empresa atua com transporte, armazenagem ou depende fortemente da logística no seu negócio, 2026 exige uma virada de chave.
A seguir serão compartilhadas dez estratégias práticas que podem transformar logística em vantagem competitiva — e não em centro de custo descontrolado.

1. Frete não é tabela fixa – É matemática dinâmica
Rodovias em más condições aumentam drasticamente o consumo de combustível, o desgaste de pneus e o tempo de viagem. Estudos mostram aumento superior a 35% no custo operacional em determinados trechos.
Se você usa a mesma tarifa por quilômetro independentemente da rota, você está subsidiando cliente sem perceber.
Precificação precisa considerar congestionamento, estado da via e rota alternativa. Frete mal calculado corrói margem silenciosamente.
2. Frota conectada é frota que protege caixa
Hoje existem dados em tempo real sobre tráfego, acidentes e fluxo nas principais rodovias.
Quem ainda opera “no feeling” está queimando diesel à toa.
Integrar sistemas de gestão com dados de tráfego reduz tempo ocioso, melhora a produtividade e impacta diretamente no custo por quilômetro rodado.
Logística moderna não é apenas caminhão novo. É informação aplicada.
3. Pedágio “free flow” pode ser economia ou prejuízo
O modelo de pedágio está mudando. Cobrança por quilômetro rodado, tarifas variáveis conforme horário.
Isso significa que sair no horário errado pode custar mais.
Planejamento de janelas operacionais passa a ser estratégia financeira. Ajustar horário de saída pode reduzir custo direto e aumentar a fluidez.
Quem não olhar isso, vai pagar mais sem perceber.
4. Cabotagem não é concorrência – É oportunidade
Muitas empresas ainda resistem à cabotagem por desconhecimento.
No entanto, transportar cargas até portos catarinenses e atuar na primeira e última milha pode ser mais lucrativo do que cruzar o país inteiro com alto risco rodoviário.
Menos exposição, menos risco, mais previsibilidade de caixa.
Às vezes, ganhar menos por viagem significa ganhar mais no final do mês.
5. Demurrage destrói resultado
Portos congestionados geram multas de armazenagem e sobre-estadias milionárias.
Muitas vezes, o cliente nem entende por que está pagando por isso.
Transportadoras que oferecem sincronização de entrega e uso inteligente de zonas secundárias agregam valor real.
Quem resolve dor de cliente fideliza e melhora a margem.
6. Sobrepeso é passivo oculto
Com novas balanças tecnológicas pesando caminhões em movimento, a fiscalização será cada vez mais precisa.
Sobrepeso não é só multa. É desgaste acelerado de frota, maior consumo, maior risco de acidente.
Controle rigoroso de carga não é burocracia. É gestão financeira preventiva.
7. Sinistro não é só seguro – É caixa
Santa Catarina tem um dos maiores índices de acidentes envolvendo carga.
Reduzir sinistralidade reduz prêmio de seguro, preserva ativos e protege reputação.
Programa de educação no trânsito e gestão de fadiga não é custo. É investimento com retorno claro.
8. Caminhão parado é caixa parado
A falta de motoristas é uma realidade.
Mas caminhão no pátio gera custo fixo sem receita.
Retenção de motoristas precisa ser tratada como indicador financeiro. Roteiros menos estressantes, bonificação por economia de combustível e ambiente estruturado reduzem turnover e aumentam produtividade.
Gente certa mantém o fluxo girando.
9. ESG deixou de ser discurso
Grandes indústrias já exigem cadeia logística com menor emissão de carbono.
Quem se antecipar com plano gradual de substituição de frota e melhoria energética terá preferência em contratos.
ESG bem estruturado vira diferencial competitivo e acesso a novos mercados.
10. O maior vilão pode estar na travessia urbana
Grande Florianópolis, Itapema, Balneário, Lages… gargalos urbanos consomem horas de operação.
Esse tempo tem custo.
Mapear o “custo de travessia” permite cobrar taxa de dificuldade de entrega ou redefinir estratégia de atendimento.
Quem mede, negocia. Quem não mede, absorve o prejuízo.

A pergunta que todo empresário precisa se fazer
Você conhece realmente o custo logístico do seu negócio?
Não o custo contábil. O custo financeiro real, que impacta seu fluxo de caixa livre.
Porque no final do dia, não é a DRE que paga fornecedor.
É o caixa.
A logística de Santa Catarina está evoluindo. Mas quem não evoluir junto vai sentir no resultado.
E aqui está o ponto central: Logística não é apenas operação. É estratégia financeira.
Se você fatura acima de R$ 6 milhões por ano e quer entender como transformar sua operação logística em geração real de caixa, talvez seja hora de olhar para isso com método.
| Fonte: Ernesto Berkenbrock, TECNITRI – Assessoria Empresarial WhatsApp: (+55 47) 99911-0526 |


