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22 de maio de 2026 por adm_FEF_2024

Missão Metal China 2026 aproxima a indústria brasileira das tendências globais da fundição

Missão Metal China 2026 aproxima a indústria brasileira das tendências globais da fundição
22 de maio de 2026 por adm_FEF_2024

Entre os dias 6 e 9 de maio, o Portal Fundição em Foco esteve representado pela Asian House na Metal China 2026, maior feira da indústria de fundição da China. O evento reuniu mais de 1.200 expositores e atraiu cerca de 150 mil visitantes, entre eles 35 brasileiros participantes da Missão Metal China 2026, liderada por Yasmim Ding, CEO da Asian House.

Delegação brasileira na Metal China, liderada por Yasmim Ding, CEO da Asian House

Além da visita à feira, a Missão promoveu visitas técnicas estratégicas às empresas Suzhou Suzhu Intelligent Equipment Co., Ltd., em Suzhou, e Changjian Huaxin Robot Parts Nantong Co., Ltd. (CHR), em Nantong.

A programação foi estruturada para proporcionar uma visão prática e aprofundada sobre o atual cenário da indústria chinesa de fundição, com foco em tecnologia, automação, inovação industrial, desenvolvimento de fornecedores e geração de oportunidades de negócios para o mercado brasileiro”.(Yasmim Ding, CEO da Asian House)

Organizado pela CFA – China Foundry Association, apoiadora do Portal Fundição em Foco, o evento também sediou a International Foundry Industry Exchange Conference, conferência internacional que apresentou um panorama atualizado da indústria global de fundição.

Missão Metal China, na International Foundry Industry Exchange Conference

A seguir, reunimos alguns dos principais destaques da apresentação da WFO – World Foundry Organization, que trouxe um panorama dos cinco maiores produtores de fundidos do mundo — responsáveis, juntos, por 76% da produção global:

  1. China: 50,75 milhões de toneladas
  2. Índia: 15,16 milhões de toneladas
  3. Estados Unidos: 11,3 milhões de toneladas
  4. Japão: 4,5 milhões de toneladas
  5. Alemanha: 3,4 milhões de toneladas

CHINA

Em 2001, a produção chinesa de fundidos totalizou 14,19 milhões de toneladas. Após atingir o pico histórico em 2021, com 54,05 milhões de toneladas, o país encerrou 2024 com a produção de 50,75 milhões de toneladas, acumulando retração média anual de aproximadamente 2,2% nos últimos três anos.

Distribuição da produção chinesa por metais (2024)

  • Ferro fundido cinzento: 41%
  • Ferro fundido nodular: 27%
  • Ligas de alumínio e magnésio: 16%
  • Aço: 12%
  • Cobre: 2%
  • Ferro fundido maleável: 1%
  • Outros: 1%

Distribuição da produção chinesa por mercados (2024)

  • Automotivo: 30%
  • Tubos e conexões: 14%
  • Máquinas pesadas para mineração e metalurgia: 10%
  • Motores de combustão e máquinas agrícolas: 9%
  • Máquinas de engenharia: 9%
  • Máquinas-ferramenta: 5%
  • Equipamentos de geração de energia e instalações elétricas: 5%
  • Transporte ferroviário: 4%
  • Naval: 1%
  • Outros: 13%

Highlights

  • As incertezas econômicas globais têm reduzido os investimentos industriais em diversos setores.
  • China e Europa concentram cerca de 80% das exportações globais de equipamentos metalúrgicos. Enquanto o mercado europeu enfrenta desaceleração, a China segue em expansão.
  • Observa-se um movimento crescente das exportações chinesas em direção a regiões emergentes, fortalecendo sua posição na cadeia global de valor.
  • Tendências industriais:
    • peças estruturais biônicas e carcaças inteligentes;
    • engrenagens, acionamentos e atuadores de alta resistência em designs integrados e leves;
    • componentes 3D projetados e fabricados individualmente.
  • A transformação tecnológica permanece como fator central de competitividade, impulsionada pela digitalização, materiais de alto desempenho, eficiência energética e descarbonização.

ÍNDIA

Em 2024, a Índia produziu 15,16 milhões de toneladas de fundidos, crescimento de 7% em relação ao ano anterior.

Distribuição da produção indiana por metais (2024)

  • Ferro fundido cinzento: 68,73%
  • Metais não ferrosos: 11,35%
  • Ferro fundido nodular: 10,62%
  • Aço: 8,97%
  • Ferro fundido maleável: 0,33%

Highlights

  • Acordos de livre comércio com mercados estratégicos vêm impulsionando a atividade exportadora do país. Em 2025, as exportações indianas de fundidos totalizaram US$ 4,313 bilhões, crescimento de 5% sobre 2024.
  • Expansão do setor de defesa.
  • Modernização da infraestrutura ferroviária.
  • Crescimento da produção de peças fundidas de maior valor agregado, especialmente ligas não ferrosas e fundidos de precisão voltados ao mercado automotivo leve.
  • Aumento dos investimentos em automação, novos processos e controle avançado da qualidade.
  • A economia indiana deverá crescer entre 6,3% e 6,8% no período 2025–2026.

Fatores que impulsionam o crescimento econômico indiano

  • Forte demanda doméstica, tanto rural quanto urbana;
  • Investimentos públicos e expansão da infraestrutura;
  • Base econômica diversificada entre manufatura e serviços;
  • Cenário internacional favorável, incluindo queda nos preços de commodities.

ESTADOS UNIDOS

Os Estados Unidos possuem atualmente 1.742 fundições, responsáveis por 118.726 empregos diretos. Em 1954, o país contava com 5.012 fundições; em 2010, eram 2.084 empresas.

A capacidade instalada norte-americana é de 19 milhões de toneladas anuais. Em 2024, o país produziu 11,3 milhões de toneladas de fundidos, sendo 65,5% de metais ferrosos e 34,5% de não ferrosos.

Distribuição da produção norte-americana por metais (2024)

  • Ferro fundido cinzento: 4,3 milhões t
  • Ferro fundido dúctil: 3,1 milhões t
  • Alumínio: 1,6 milhão t
  • Aço: 1,1 milhão t
  • Zinco: 404,2 mil t
  • Cobre: 354,0 mil t
  • Magnésio: 141,9 mil t
  • Ferro fundido maleável: 32,6 mil t
  • Outros metais não ferrosos: 53,3 mil t

Highlights

  • O país importa cerca de 11% da matéria-prima utilizada por suas fundições.
  • Pesquisa realizada com fundições norte-americanas apontou como principais preocupações:
    • demanda por fundidos;
    • inflação e aumento de custos;
    • seguros e regulamentações federais;
    • treinamento e qualificação de mão de obra.
  • O aumento do consumo energético provocado pela expansão de data centers tem pressionado a rede elétrica e elevado os custos de energia para o setor.
  • Nos últimos dez anos, em média 12 fundições encerraram atividades anualmente, refletindo um processo contínuo de consolidação do mercado.

Outro destaque foi o anúncio da Stratecasts, que, em parceria com investidores e desenvolvedores industriais, pretende implantar o maior complexo de fundição dos Estados Unidos. O projeto combinará automação avançada, sustentabilidade e alta capacidade produtiva para atender aos mercados aeroespacial, de defesa, transporte e infraestrutura.


JAPÃO

Em 2024, a produção japonesa de fundidos totalizou 4,5 milhões de toneladas, retração de 7% em relação ao ano anterior.

Distribuição da produção japonesa por metais (2024)

  • Ferro fundido cinzento: 36,5%
  • Ferro fundido nodular: 27%
  • Die casting: 20,1%
  • Alumínio: 8,1%
  • Tubos em ferro fundido: 3,8%
  • Aço: 2,6%
  • Cobre: 1,3%
  • Ferro fundido maleável: 0,6%
  • Microfundidos: 0,1%

ALEMANHA

Em 2024, a Alemanha produziu 3,4 milhões de toneladas de fundidos:

  • Metais ferrosos: 2,57 milhões t
  • Metais não ferrosos: 790 mil t

Desde 2017, a produção alemã vem registrando queda média anual de 6%, o equivalente a aproximadamente 2,2 milhões de toneladas no período.

O país possui 208 fundições de metais ferrosos e 306 de não ferrosos, empregando cerca de 65 mil colaboradores.

Highlights

  • A desaceleração da demanda automotiva global impacta diretamente o desempenho da indústria alemã de fundição.
  • Apesar do número relativamente reduzido de fundições, a Alemanha permanece entre os cinco maiores produtores mundiais.
  • Em comparação com a Turquia, que possui 965 fundições, a produção alemã é 28,7% superior, mesmo contando com apenas 514 empresas.

REFLEXÃO – O CASO BRASIL

Utilizando a mesma base de comparação, o Brasil produziu 2.791.288 toneladas de fundidos em 2024, segundo dados da ABIFA. Este volume é 20,5% inferior ao da Alemanha, quinta maior produtora mundial naquele ano.

A competitividade da indústria brasileira continua em deterioração. Juros elevados, carga tributária complexa, insegurança jurídica, alto custo de energia, baixa produtividade e escassez de mão de obra estão entre os fatores que pressionam o setor.

Soma-se a isso a falta de políticas industriais mais consistentes e previsíveis para fortalecimento da competitividade, ampliando os desafios enfrentados pelas empresas brasileiras.

Diante desse cenário, Maurício Colin, presidente do Sifesp, faz a seguinte reflexão:

O que nós, como industriais organizados, podemos fazer juntos para mudar parte dessa realidade?”

E complementa:

Precisamos usar o que temos de melhor: Dados técnicos, propostas consistentes e o convencimento por meio de informações claras.”

Marcus Gimenes, vice-presidente da FIEP e participante da Missão Metal China 2026, reforça:

Precisamos de união para defender os interesses comuns. Nossos concorrentes externos estão ficando cada vez mais competitivos e invadindo nossos mercados. Sabemos que não temos uma política industrial há muito tempo, temos ações pontuais para ajudar um ou outro setor”.


CONCLUSÃO

Para a indústria brasileira de fundição, acompanhar de perto os movimentos dos principais players globais deixou de ser apenas uma oportunidade de benchmarking, passando a ser uma necessidade estratégica. A velocidade das transformações tecnológicas, a reorganização das cadeias produtivas globais e o avanço da competitividade internacional exigem do setor uma postura cada vez mais integrada, inovadora e orientada por dados.

Nesse contexto, iniciativas como a Missão Metal China 2026 tornam-se fundamentais para ampliar a visão de mercado das empresas brasileiras, aproximar o setor das principais tendências mundiais e estimular conexões capazes de gerar novos negócios, parcerias e oportunidades de desenvolvimento industrial.

O Portal Fundição em Foco agradece à Asian House pela representação no evento

Artigo anteriorEmbraer firma contrato com fornecedor indiano

1 comment

Ulisses Medeiros disse:
23 de maio de 2026 às 12:35

O recado da Metal China 2026 é claro: competir hoje não é mais só produzir bem. É ganhar em eficiência, tecnologia, custo e velocidade.
Se a indústria brasileira não se organizar de forma mais estratégica e coletiva, corremos sério risco de perder ainda mais espaço para importados e ver nossa competitividade industrial encolher ano após ano.

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