Os sinais de desaceleração da economia no segundo semestre de 2025 não impediram o setor automotivo de fechar o ano com vendas em alta pelo terceiro ano consecutivo.
Os dados aqui apresentados foram compilados pela ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Emplacamentos
As vendas do setor subiram 2,1% na comparação com 2024, mostrando a resiliência do mercado brasileiro mesmo diante de um período prolongado com juros em patamares elevados, como afirmado pela entidade.
Ao todo, 2,690 milhões de autoveículos foram emplacados em 2025.
Caminhões
O segmento de caminhões foi o mais afetado pela taxa de juros elevada, tendo registrado queda de vendas 9,2% em 2025.
No caso dos modelos pesados, voltados majoritariamente para o transporte de longas distâncias, a retração foi ainda mais acentuada: de 20,5% ante 2024.
Produção
A produção de veículos automotores ficou em 2,644 milhões de unidades em 2025, o que equivale a um crescimento de 3,5%, “puxado por um apetite renovado no exterior por autoveículos fabricados no país”, de acordo com a entidade.
Fluxo comercial em alta
Tanto as exportações quanto as importações registraram alta relevante em 2025.
Os embarques de autoveículos nacionais cresceram 32,1%, totalizando 528,8 mil unidades.
A entrada de veículos estrangeiros no Brasil também aumentou, no caso 6,6%. Este crescimento foi puxado pela importação de autoveículos fabricados em países sem acordo de livre comércio com o Brasil, especialmente a China.
De acordo com a ANFAVEA, o país asiático representou 37,6% dos 498 mil importados emplacados no Brasil em 2025. “Assim, pela primeira vez, Mercosul e México não lideraram a lista, com países fora desses tradicionais parceiros representando 50,2% dos importados vendidos no país”.

Para este ano, a expectativa da ANFAVEA é de crescimento de 3,7% no volume de produção de 2025, o que representa 2,741 milhões de unidades.
Essa alta deverá ser concentrada em veículos leves, com alta de 3,8%. Para caminhões e ônibus, a previsão é de uma produção de 154 mil; 1,4% acima dos 152 mil fabricados em 2025.
O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas, que limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025, seguem presentes neste início de ano. Esse cenário nos leva a projetar um comportamento de mercado em 2026 bastante semelhante ao observado no segundo semestre do ano passado”. (Igor Calvet, presidente da ANFAVEA)
Com relação às exportações, espera-se uma ligeira alta de 1,3% em 2026, com 536 mil unidades; ainda calcada no bom desempenho da Argentina.
Sobre as importações, a expectativa da entidade é que o fluxo de entrada de modelos eletrificados importados se reduza ao longo de 2026, com o início da produção nacional de veículos híbridos e elétricos em diversas fábricas instaladas no país, o fim dos incentivos à importação de kits para SKD e CKD e a recomposição da alíquota do Imposto de Importação, prevista para julho.
| Fonte: ANFAVEA |


